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15 de julho de 2015

Postado por Monique | Marcadores: ,
Esse foi o único encontro que eu tive com o sobrenatural, e até hoje eu agradeço aos céus por causa disso (de ser o único, não por ter acontecido). Aconteceu quando eu tinha 15 anos (estava para fazer 16).

Era de noite e já era tarde. Já tinha passado das 23:00 e eu estava deitada na cama, quase dormindo. A minha cama fica encostada na parede e eu geralmente durmo com a cara quase encostada nela, de bruços. Eu tenho um cachorrinho que dorme no meu quarto, mas como a comida e a água dele ficam na cozinha, a porta esta sempre aberta.

Quando eu estava já quase dormindo, eu senti alguma coisa estranha no quarto. Eu não sabia o que era, mas sabia que tinha alguma coisa estranha. Eu sentia como se tivesse alguém parado perto da minha cama, me olhando. Eu comecei a sentir um medo crescer em mim. Eu podia sentir o meu cachorro deitado na minha cama ao lado do meu pé, quieto, provavelmente dormindo. Eu pensei que se realmente tivesse alguma coisa lá, ele estaria latindo. Mas mesmo assim, eu podia sentir alguma coisa lá.

Algum tempo se passou, e eu acabei me acalmando um pouco. Mas então eu ouvi um estalo na minha escrivaninha ao lado da minha cama. Como se alguém tivesse sentado nela. Isso fez aquele medo que eu estava sentindo ficar quase palpável. Os meus sentidos ficaram completamente apurados. Eu podia ouvir o ar à minha volta apitando, podia sentir o gosto do ar, podia sentir cada centímetro quadrado do lençol encostando no meu corpo e sabia que as minha pupilas estavam dilatadas ao máximo, olhando a parede escura à minha frente.

Eu não sabia o que fazer. O interruptor da luz estava do lado da minha cama, ao alcance do meu braço. Mas eu não sabia se eu tentava acender a luz ou se continuava quieta e imóvel, feito uma estátua. O medo venceu a razão e eu não tentei acender a luz. Continuei naquela escuridão, sem saber se realmente havia algo lá ou não.

Pouco tempo depois, eu senti o medo se transformar em pânico. Eu não sabia porque. Foi do nada, de repente, como se eu tivesse adivinhado o que estava para acontecer. Foi como se eu tivesse ouvido uma voz berrar na minha cabeça para eu não me mexer, não importasse o que acontecesse, para não reagir. Então, eu senti algo repousar de leve nas minhas costas. Parecia ser uma mão. Ela tinha uma delicadeza, uma suavidade quase que reconfortante. Mas para mim pareceu ser apenas algo para enganar, para me iludir. Ela parecia me convidar a olhar para o dono dela.

Aquela voz na minha cabeça me dizia que enquanto eu ficasse imóvel, nada de ruim me aconteceria. E assim eu fiquei, parada, sentindo aquela mão estática nas minhas costas. Pouco tempo depois eu senti a pressão que ela fazia aumentar, como se estivesse perdendo a paciência e quisesse me fazer olhar para traz à força. Mas eu continuei quieta.

Aquela mão foi me apertando cada vez mais, me afundando na cama. Eu estava em completo pânico, podia sentir o mal que emanava daquilo. Eu não sabia o que era, não sabia o que queria, não sabia por que estava lá. Só sabia que não deveria me mexer. Não sei quanto tempo se passou até que a mão começou a se fechar nas minhas gostas, como se estivesse me beliscando. Eu estava quase chorando de medo e dor, mas sabia que não poderia reagir. Essa era a única coisa que eu pensava, não reagir. O pânico era tanto que as lágrimas não demoraram a começar a cair dos meu olhos, mas eu não ousava soltar qualquer ruído com a boca (muito menos um grito) ou me mexer.

Não sei quanto tempo se passou até aquela mão aliviar a pressão nas minhas costas e voltar a simplesmente ficar pousada nela. Nessa hora um cansaço se abateu sobre mim. Um sono avassalador me tomou e pouco depois eu acabei dormindo, sentindo aquela mão nas costas.

Eu acabei acordando na manhã seguinte. O meu quarto estava escuro, com apenas um facho de luz entrando por um pequeno buraco na janela, aliviando um pouco aquela penumbra. Ainda relutei um pouco para me mexer, lembrando da noite anterior, mas alguma coisa lá dentro, me falava que já estava tudo bem. Eu me virei e o meu quarto estava vazio. Nada de anormal rondando a minha cama. A única coisa estranha era que o meu cachorro não estava mais lá comigo, e a porta estava trancada por dentro. Não sei o que trancou a porta ou colocou o meu cachorro pra fora, mas eu não gostei nem um pouco disso, eu tinha passado a noite trancada lá dentro com aquela coisa.

Eu me levantei e sai correndo do quarto e fui direto pro banheiro. Ainda estava sentindo as costas um pouco doloridas. Eu fui ver no espelho se tinha alguma marca e vi vários hematomas. Não mostrei pra ninguém por não saber como explicar uma coisa dessas.

Eu fiquei com medo de dormir no meu quarto depois disso, mas não fiz muita cerimônia sobre o assunto. Apenas dormia com a luz acesa e olhava em baixo da cama e dentro dos armários antes de me deitar. Mas pouco tempo depois disso acabei perdendo o medo e a minha vida voltou à rotina de sempre.

Nunca mais nada de estranho me aconteceu. O que me aconteceu naquela noite? Eu não sei. O que era aquilo? Eu também não sei. O que aquilo queria? Dou graças por não saber. Só sei que nunca mais voltou e sou grata por isso.

Caroline - São Paulo - S.P.

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