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19 de julho de 2015

Postado por Monique | Marcadores: ,
Essa história é sobre a vizinha que vive ao lado da datcha do meu amigo. Para quem não sabe, datcha (дача) é o nome russo para uma espécie de casa de campo usada no verão e primavera. Muita gente das grandes metrópoles as têm, e é comum ir para lá aos fins de semana para relaxar e fazer shashlik (шашлык," churrasco").

Esse meu amigo tem um gato nessa datcha. Bem, o gato não é realmente dele. Ele vagueia pelo campo e muitas vezes se fixa na datcha dele, e meu amigo costuma alimentá-lo e deixar ele ficar lá. O gatinho é realmente adorável, gosta muito de carinho e se derrete todo quando afagam sua cabeça. Apenas como a maioria dos gatos, eu acho.

A datcha do meu amigo é realmente um excelente lugar para fugir da cidade... Bela casa, ótima arquitetura, quintal grande, lago limpo e transparente. Absolutamente perfeito! Bem, quase perfeito... Sua vizinha é uma velha senhora. Ao contrário da maioria das pessoas, ela realmente vive lá, então não é realmente uma datcha para ela, mas sim sua casa. Ela mora lá desde antes de meu amigo obter a propriedade, e ele nunca viu ninguém visitá-la ou sequer parar para conversar com ela. Ele soube, pela boca de alguém, que o marido dessa senhora morreu há aproximadamente dez anos. O curioso é que todos os dias ela senta num banco em seu quintal e faz movimentos com as mãos, como se estivesse acariciando algum bichinho - o único problema é que como disse, ela vive sozinha, e não tem nenhum animal de estimação. Ela também costuma falar alguma coisa, algo que poderia ser ouvido facilmente se você passar minimamente perto da casa, mas imagino que ninguém jamais teve curiosidade o suficiente para se dispôr a entender seus monólogos. Concluí que ela era uma velha louca com algum gato, mas o gato morreu há um tempo atrás e ela não largou o hábito de se sentar lá fora para acariciá-lo.

Uma noite, meu amigo acordou com um peso se movendo sutilmente sobre a sua cama. Ele achou que era o gato do qual falei antes, então, sem abrir os olhos, ele esticou a mão e sentiu o animal peludo. Ele começou a afagar a cabeça do bichano, meio sonolento, quando percebeu que algo não estava certo... O pelo era espesso, tinha uma textura áspera e definitivamente não era suave como o de um gato...

Ele saltou da cama e olhou para o que estava acariciando. Estrava muito escuro para ver exatamente o que era, mas com toda a certeza aquilo definitivamente não era um gato. No breu, ele percebeu uma forma ovalada e clara, cheia de pelos escuros em cima. Meu amigo ficou encarando aquilo, em silêncio, quando a coisa se rolou para a direita, caiu no chão com um estrondo, e saiu rolando para fora da porta do quarto. Ele correu para a porta e rapidamente a fechou e a trancou.

Esse meu amigo é o que chamamos na Rússia de pohuist (похуист), basicamente um cara que não dá a mínima para nada, então ele simplesmente deu de ombros e voltou a dormir. Na manhã seguinte ele vasculhou rapidamente a residência e não encontrou nada. "Oh, bem, tenho que ir à loja comprar leite", disse ele a si mesmo, como bom pohuist. Ao sair da datcha, ele viu a vizinha sentada acariciando o ar e falando sozinha, como sempre, mas dessa vez ela estava sentada na entrada da casa dela, perto da calçada, então, quando ele passou por ela, pôde ouvir claramente o que ela murmurava. Assim que ele entendeu o que acabara de ouvir, fez as malas e caiu fora da datcha no mesmo dia. O que ela disse, você poderia perguntar? "Vlad, por que você fica vagando à noite? Você deve ter deixado aquele jovem com medo!"

Vlad é o nome de seu marido. O mesmo que morreu há um tempo atrás.



Traduzido do site Копипаста.


Um comentário:

  1. Nossa! Datchas! Tinha me esquecido da existências delas, a Russia é um lugar com muitas histórias bizarras... Faz muito tempo vivi lá e nunca me esqueci. Duas história que me aterrorizam até hoje e duas sugestões, se me permite:
    1- a história do embaixador da França que matou a mulher e picou seu corpo misturando-o ao cimento para construir a mesma em Moscou.
    2-Uma história que papai me contou que durante sua estadia em Minsk, na Bielorussia, fazia cooper em uma floresta e sempre sentia pessoas olhando para ele, até que um dia contaram que ali fora um campo de batalha de guerra e os soldados desconhecidos foram enterrados sem identificação e cada pedra era um soldado!

    Muito legal o Blog!

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