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17 de junho de 2014

Postado por Monique | Marcadores: ,
No curto animes, muito pelo contrário. Tenho um preconceito meio macabro e bastante sem nexo para com eles. Com minha amiga e ocasional colaboradora do blog, Stephanie, assisti a Corpse Party no começo deste ano e há alguns anos peguei o tal de Requiem from the Darkness para ver e resenhar, mas é realmente muito difícil eu ceder a experiência de ver algum anime hoje em dia. A Stephanie, ao contrário, simpatiza bastante com eles e inclusive fez uma lista aqui no blog.
(...)
O problema é que ela esqueceu de colocar Mononoke em primeiro lugar. Por que ela se esqueceu de Mononoke? Provavelmente porque ela não o conhecia - ninguém conhece essa pocilga!


Nas rodinhas de conversa, sempre que o assunto é anime, comento de Mononoke e imediatamente surge a voz de algum coleguinha "Mononoke-hime? O do lobo e da guria?". Não, gente, não! O ápice da perfeição retratado numa animação se chama apenas Mononoke (モノノ怪), nada de princesa e lobo e guria e fofuras, mas sim um spin-off de 2006 de horror que parte da série Ayakashi: Samurai Horror Tales, mais precisamente do arco Bakeneko.
Mononoke funciona perfeitamente bem como uma série independente em seu próprio direito e, na verdade, antes de vê-lo, eu não tinha visto Ayakashi. Aliás, fico devendo um outro post para falar sobre Ayakashi.


Com um roteiro tenebroso, Mononoke conta a história de um andarilho vendedor de remédios sem nome (referido como Kusuriuri, Medicine Seller) que investiga casos sobrenaturais e também faz exorcismos. A série é dividida em arcos, cada um com um mononoke a ser exorcizado pelo andarilho. Mas para que o exorcismo aconteça é preciso que Kusuriuri conheça alguns fatos sobre a situação e o espirito do mononoke, sendo estes sua forma real (Katachi), a verdade por trás de sua aparência (Makoto) e a razão para seu comportamento incomum (Kotowari).


O anime progride de forma que o espectador assiste Kusuriuri em várias situações e ambientes, descobrindo e erradicando mononokes. É certo que a história parece simples, mas isso é parte de sua beleza. Uma riqueza de detalhes distintos e animação espetacular, uma matriz intrigante de diversos personagens e uma imensa quantidade de talento complementando à base mínima e às peças da trama o fazem tão especial.
A animação da série se destaca de modo indescritível e pede para ser enfatizada em primeiro lugar. Cada cena possui uma paleta de cores deslumbrantemente rica e suntuosa, e uma certa inclinação à arte estilizada cria uma sensação distinta de estar assistindo a quadros ricamente trabalhados que de alguma forma ganham vida e movimentos contínuos. Até mesmo as gotas de chuva que caem no guarda-chuva de Kusuriuri no primeiro episódio parecem encantadoras e precisamente trabalhadas, sem contar os ângulos fenomenais de câmera cujos quais jamais vi em outra série!


Qualquer outra personagem recebe quantidade igual de atenção, e os próprios mononokes idem - abstratos e exagerados, de alguma forma conseguem ser ao mesmo tempo perturbadores e plenamente agradáveis. 
Em Mononoke a animação não serve apenas para "decorar" o enredo, mas para complementá-lo; se você está apenas se focando na história e não presta atenção aos detalhes estéticos você estará perdendo muita coisa, e vice-versa.


As histórias dentro dos episódios conseguem cativar, horrorizar, e às vezes até divertir. O primeiro arco revela-se particularmente interessante; Kusuriuri passa a noite em uma pousada que costumava ser um bordel e deve lidar com o mononoke que assombra a sala onde um aborto ocorreu. Algo encantador na série é a forma como as personagens interagem com o próprio Kusuriuri; algumas o acham estranho, perigoso, e até intrigante. Os diálogos passam ao espectador uma profundidade e riqueza incrível e também merecem destaque.


Você considera "anime" e "arte" um sinônimo? Talvez a pergunta te faça rir silenciosamente, como no meu caso. Talvez você esteja cansado de "fanservices" sem cabimento, "moe", gritinhos de "tsunderes", e principalmente de pontos previsíveis na maioria das tramas. Se for esse o caso ou se você está simplesmente com vontade de assistir a algo requintado que demonstre o domínio de todas as qualidades que fazem uma excelente obra, então Mononoke é para você.
Na verdade, não consigo pensar em qualquer outra série que realmente mostre a potencialidade possível de anime como forma de arte de tal modo como Mononoke faz.
Certamente ele não é para todos. Se você não é paciente o suficiente para realmente prestar atenção ao que está assistindo - aos símbolos, às conversas de Kusuriuri - ou se o que você espera de uma obra é simplesmente ver algo que se desdobra perante seus olhos e te diz em voz alta o que está acontecendo, você ficará desapontado.


Aos mais sensíveis, eis algo que vale a pena se ver e que certamente lhe soará inesquecível. Este anime é absolutamente único e incrível, sem mais a comentar.
Assista.
E nunca mais pense na porra da princesinha e do lobo ao ouvir o nome Mononoke, mas sim no melhor anime que tu verá na sua curta e parca vida mortal.


3 comentários:

  1. contava os dias por este post aqui haha, de fato uma das melhores tramas animadas que já vi,tenho um affair maior pelo laconismo e graça de ayakashi , btw mononoke tem uma produção impecável 10/10
    sei do porre que eh trazer novidade todo dia pro blog, mas ta difícil encontrar algo não risível voltado p essa temática, ty.

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  2. Comecei a assistir a pouco tempo e já me apaixonei ! É intrigante , assustador e ao mesmo tempo incrível! Bem minha cara ! Já estava na hora de aparecer um anime como esse . Parabéns pela matéria! 👺👹👿

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  3. Até antes de ver esse anime, mononoke sempre me lembrava da princesinha e do lobo kkkkk, que tbm é uma belíssima obra do Miyazaki, mas a série do vendedor de remédios realmente pode ser enaltecida como uma obra de arte da animação. Me fez assistir ayakashi e colocá-la no mesmo patamar.

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