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21 de outubro de 2013

Postado por Monique | Marcadores: , ,
Devo iniciar o texto enfatizando que estamos num ponto em que geralmente é clichê falar de clichês, mas trago-vos algo completamente novo abordando itens que eu observei ao longo de meus dezessete anos terráqueos cujos quais foram regados a base de filmes de horror desde que aprendi a falar (Hellraiser aos quatro anos, pois é), e que portanto, não foram chupados de qualquer blog, tornando o post um tanto quanto exclusivo.
É bom citar também que nem sempre um clichê é algo ruim, abominável, que te faz perder todas as expectativas no filme, e que  nunca deve estar presente em quaisquer obras. São infinitas as situações em que eles podem ser úteis e até se encaixar perfeitamente no contexto, em especial se forem bem usados. Mas esse post é focado nos clichês existentes em grande parte das obras Hollywoodianas, e não em quão bem ou mal eles foram empregados.

1 - Ouvi um barulho, hei de verificar!

É incrível como os personagens não apenas são estupendamente corajosos, mas hiper idiotas. Desbravejam quaisquer ruídos estranhos, especialmente quando os eles sabem que tal barulho não deve ser normal. O ser está completamente sozinho em algum lugar, geralmente uma casa mal-assombrada ou onde obviamente jaz um Serial Killer, e o cidadão simplesmente sai saltitante em direção ao chamado! O mais estúpido é que eles jamais, digo, jamais têm o bom senso de ao menos esgueirar-se em silêncio e ver a fonte do ruído; se o cara está tão curioso assim, o que custa ser minimamente prudente? Não! Eles andam gritando o nome de alguém, como com o intuito de avisar à presença sua localização e dar completa vantagem ao sujeito.


2 - Gênios de plantão

Isso ocorre em quase todo filme que trata de Seriais Killers, e a gota d'água para mim foi Instinto Secreto (Mr. Brooks, 2007), cujo qual assisti há alguns dias na TV por assinatura, numa madrugada de pleno ócio. Os gênios geralmente são mulheres lindas e bem apessoadas que trabalham na área de investigação e, nessa obra que citei, o ápice da falta de noção foi quanto nossa detetive diz, sem ponderar um segundo, logo ao entrar no quarto onde um casal foi morto: "O saco não está no aspirador de pó; o assassino aspirou o local antes de partir". Ela sequer havia visto com os próprios olhos um aspirador, mas obviamente estava corretíssima em sua conclusão, afinal, é um gênio!


3 - Solução óbvia? Para quê?

Sabe quando você ouve uma batida na janela, vê uns esquisitões mascarados do lado de fora da sua casa, ou ouve descaradamente alguém andando pela sua casa? Claro que se tratando de um filme de horror, o último caso pode se tratar de uma assombração perambulando por aí, mas o bom senso manda ligarmos para a polícia, ou até cairmos fora de casa. Mas polícia? Pra quê? É comum nesses filmes as figuras de autoridade serem um bando de incompetentes omissos, inexistentes, ou extremamente céticos a tudo que nossos queridos protagonistas têm a dizer, e não é raro policiais morrerem devido ao fato de terem desdenhado até a última palavra do felizardo. Também é de prado os telefones não funcionarem, pois certamente o serviço de telemóvel preferido dos indivíduos é a Tim.


4 - Assassinos superficiais e sem escrúpulos

Convenhamos que muitos Seriais Killers são pessoas como nós que, devido a certas circunstâncias da vida, tornaram-se o que são. Jeffrey Dahmer, por exemplo, era um rapaz que adorava animais, buscava a companhia sólida de um homem que realmente o amasse, e chegou a afirmar convictamente que amou cada uma de suas vítimas... Enfim, era um humano! Não matou seu primeiro felizardo por outro motivo senão o fato de querer mantê-lo consigo, e o medo e repulsa que descreve ter sentido ao realizar o ato, bêbado, é no mínimo compreensível. Os primeiros assassinatos são realmente pesarosos e assustadores - disse TED BUNDY!, um dos Seriais Killers mais brutais e insanos do qual tenho conhecimento - as coisas apenas tornam-se aceitáveis e gratificantes após cometer no mínimo quatro ou cinco assassinatos, quando tal  ato perde o estigma social e assume uma normalidade por demais banal.
Já nos filmes de horror, os vilões são sempre malucos sem escrúpulos que saem matando sem o menor sentimento por trás disso, geralmente terríveis desde pequenos, que sequer esquentaram a cabeça ao matar as primeiras vítimas. Talvez tenham sofrido algum trauma, mas não passa de algo irrelevante e que dificilmente faria alguém matar. Isso existe? Claro! Mas não é a totalidade dos casos, como os filmes nos fazem acreditar.


5 - Cético a ser convertido

Comum igualmente em obras sobrenaturais e em banhos de sangue, há sempre aquele cara - digo "cara" porque quase sempre esses babacas são homens - que não acredita em nada que lhe é descaradamente jogado na cara. Filmou um espírito em ação? Nah, provavelmente é... Fogo de santelmo que peculiarmente assumiu uma forma humanoide, e as coisas se mexendo justamente onde o fogo humanoide toca é apenas o vento. As explicações que esses indivíduos encontram chegam a ser mais estúpidas e inverossímeis que simplesmente admitir que aquilo é obra do capiroto.
A contraponto, há um idiota com a cabeça totalmente submersa no sobrenatural, daqueles que associa chuva a um feito dos deuses maias. Ele e o cético terão muito o que discutir... Mas o final costuma mostrar este como um babaca que abandona todo o ceticismo de uma hora para a outra e se converte em outro maníaco por espíritos que jamais tornará a questionar nada, ou... Ele morre, porque céticos não devem viver.


6 - Personagens sempre lindos e maquiados

Isso não é apenas característica dos filmes de horror, mas de Hollywood em geral. Quando assistimos a uma obra de cunho assustador, no mínimo esperamos personagens envolvidos com a trama e que, a levar uma surra do vilão ou se esconder do mesmo num lago, apresente-se com os cabelos despenteados e o rosto com maquiagem borrada e os poros saltado da pele, mas não! Jamais! As lindas detetives têm todo o tempo do mundo para conciliar a árdua investigação com quilos de pó compacto na cara, os mocinhos têm o bom senso de retocar a base entre uma fuga e o outra do assassino, e as moças chegam a levantar da cama após uma noite tormentosa de sono com o rímel reluzindo nos cílios bem curvados e os cabelos, com a raiz bem tingida, já moldados em belos cachos. Não sei você, mas se eu fosse uma garota em aflitos dificilmente estaria com as unhas compridas e perfeitas durante toda a trama que dura semanas, ao passo que uma pintura de esmalte permanece bela durante aproximadamente quatro ou cinco dias. As camisas regatas com decotes também, sempre em cena, mostram mulheres com as axilas lisinhas e devidamente depiladas mesmo ela tendo passado... Cinco dias presa numa cadeira de tortura, claro.
Vale também lembrar que, durante o romance básico que Hollywood jamais dispensaria, ninguém tem mau hálito ou indisposição, todos estão limpinhos e lindos. O beijo marcante costuma ocorrer no fim do filme, após dois mocinhos sobreviverem ao terror, e lá estão eles se beijando apaixonadamente.


7 - Tudo tem uma explicação que será devidamente descoberta

Embora os assassinos sejam dementes sem escrúpulos, as assombrações não são. Se há um mistério envolvendo o sobrenatural, pode apostar que cedo ou tarde haverá alguém, geralmente mulher, pesquisando arduamente numa biblioteca ou sede de arquivos o que levou as coisas à atual situação. Entre infinidades de alfarrábios, ela magicamente encontra algo que fala de um assassinato em tal lugar, de pais negligentes que deixaram uma criança desfalecer, de um indivíduo muito apegado à casa que morreu e provavelmente vem de além-mundos com o intuito de permanecer na residência. Nada permanecerá sem explicação num filme Hollywoodiano, pode ter certeza e ficar tranquilo. Basta resolver o problema da assombração, ou ao menos compreendê-lo, que tudo acaba bem. Ou quase bem, visando que finalmente os produtores Hollywoodianos perceberam o quão batido é o final feliz, e andam se esforçando pateticamente para criar um sustinho final que por vezes é mais estúpido e forçado que os finais felizes.


8 - Animais são sempre vítimas

O pobre animal, geralmente cachorro (mas também pode ser um gato, ou um peixinho que aparecerá morto no aquário) é o maior desgraçado nesse tipo de filmes. Se não é a primeira vítima do assassino que o usurá para alertar os mocinhos do que pretende fazer com eles, é o felizardo que expecta calado as aparições diabólicas das entidades. É muito, muito, muito raro um bichinho sobreviver durante toda a longa; esteja preparado para entristecer-se caso seja um amante dos animais.
O felizardo fica latindo ou uivando para o nada, seja de cara para a parede ou encarando a penumbra no batente da porta, ele é o primeiro a se conscientizar da presença sobrenatural. Quando há crianças na trama, ele será seu melhor amigo, e é protegendo o pequeno da entidade maligna que acabará se danando. Obviamente os donos não demonstram a menor preocupação, e acham que o cão é um otário por se recusar a adentrar certos recintos - aqueles onde ocorre a maior atividade sobrenatural.


9 - Se prepare, que aí vem coisa!

Ler sinopse é para fracos, e os produtores provavelmente começam o filme com a expectativa que quem irá assisti-lo se joga de cabeça numa trama da qual não tem a menor ideia do que se trata. Portanto, muitas vezes damos de cara com violência gratuita logo no início da trama, geralmente mostrando a coisa terrível que aconteceu com a última vítima dos vilões em questão; seja um maluco cometendo suicídio, ou um pobre coitado sendo submetido a intensa tortura, o fato é que a cena será extremamente confusa e jamais mostrará o que de fato causou aquilo; talvez vejamos um vislumbre do vilão mascarado, ou sussurros e barulhos estranhos que enfatizem a presença de um fantasma. Só saberemos sobre isso no decorrer da história, observando as circunstâncias que causaram o drama do primeiro personagem, sendo a trama gradativamente desenvolvida a fim de culminar numa cena idêntica à primeira, com a exceção de que a nova vítima provavelmente escapará de terrível destino.


10 - O grande camarada

Quando tudo parece perdido e ninguém acredita nas alegações trágicas que o protagonista tenta inutilmente alertar aos outros, aparece um amigão. Em filmes sobrenaturais ele será um padre se estivermos falando de um casal de protagonistas, ou será um ex-namorado no caso de uma mulher solitária envolvida nessa teia de terror. Embora aconteça menos frequentemente em filmes de assassinos que no primeiro caso, tal personagem  será um policial ou alguma autoridade em tal circunstância. A bela detetive finalmente encontra consolo no colega de trabalho que estranhamente crê nas lorotas que ela diz, e o mesmo ocorre com a moça desiludida no caso de seu ex-namorado, e esses dois personagens sempre terminam juntos. Quando falamos de casais, há um padre que pretende salvar a pátria se dispondo a realizar um exorcismo (que fracassa), ou aconselha os protagonistas a chamarem investigadores psíquicos e mediuns (algo que apenas torna tudo pior). O fato é que esse cidadão será uma fonte de consolo para o desesperado, e juntos eles possivelmente resolverão o caso, porque Hollywood adora pregar a eficácia de um bom trabalho em equipe. Para os apreciadores de violência gratuita, há a enorme possibilidade desse amigão morrer.

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