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20 de dezembro de 2012

Postado por Monique | Marcadores: , ,

O fantasma que veio assombrar o Natal
Betimartins

O frio já se fazia sentir, a cabana estava já apinhada de toros de madeira grossa, lá fora já caia a primeira neve, lenta, branca, fofa e aprumada, as crianças já estavam em altos alaridos, vestindo casacos e querendo brincar na neve.
Era a primeira vez que iam passar o Natal na montanha, férias e fins de semana, já tinham passado, mas ficarem isolados por dois meses na montanha era a primeira vez. A babá também veio conosco, foi muito trabalhoso, compras, encher arcas, transportar gasóleo para o gerador, bem melhor nem falar.
Meu marido tirou férias, quis também ficar mais uns tempos com os filhos, eu apenas tinha que escrever um livro sobre a minha infância, tinha apenas dois meses nada mais. Apertado, mas com toda aquela ajuda também não seria impossível, eram três meninas, de idades diferentes, muito barulhentas.
Mais dois dias e já tido estaria coberto de neve sem poder ter mais contacto com a civilização, apenas os telefones e o radio, logo ficaria sem net e claro que seria mais difícil entreter as crianças por ali.
O meu livro já estava no meio, escrevia sem parar, o meu marido fazia as refeições e a babá era de grande ajuda por ali, sempre estavam ligadas as crianças, quase que nunca me incomodavam. Estava eu distraída olhando pela janela os vendo, brincando e rindo, atirando bolas de neve uns para os outros, algo chamou atenção no final do jardim, via uma sombra gigante se movendo, parecendo querer estar escondida de todos ali, apenas observando.
Senti calafrios, algo estava errado ali, levantei-me e sai para chamá-los para dentro, claro que fizeram caras feias e ficaram mal humorados comigo. Meu marido puxou o casaco e exclamou:
- É sempre a mesma, além de estares sempre ocupada e nunca teres tempo para nós cortas o barato da brincadeira com as nossas crianças.
Abanei a cabeça, sem falar no que tinha visto e que estava muito preocupada com tudo isso. Passei a estar mais atenta no dias seguintes, mas nada vi de estranho, meu coração foi sossegando aos poucos, afinal eu devia ter visto mal.
Dezembro já estava correndo rápido, as meninas andavam numa alegria descomunal, estavam preparando os enfeites do Natal, era dentro e fora da casa, que alegria era agradável de ver. Desliguei-me e contagiada os fui ajudar estivemos o dia todo, mas no final valeu a pena,quando ligamos as luzes, tudo estava lindo, parecia um quadro natalício, lindo demais.
Aquele dia foi mesmo muito especial, ela trouxe a memórias lindas lembranças do passado, dos seus natais passados. Já estavam todos dormindo, quando de repente são acordados pelo grande estrondo na sala, todos se levantam e descem as escadas e são surpreendidos com algazarra que seus olhos vêem tudo destruído, tudo não sobrou nada ali.
Estranho, a porta estava trancada. A babá corre levando as crianças para o quarto, perguntas e mais perguntas sem resposta. Sem saber o que pensar eu e o meu marido sentamos no sofá em frente da lareira que estava quase apagado, de repente ele reacende como por artes mágicas.
Olhando meio atônicos sem saber o que pensar, nós vemos uma figura sinistra na chama da lareira, horrenda e rindo, articulando gestos de muito zangado. Nisto as bolas disparavam do chão da sala como por artes mágicas no ar, tentando nos acertar, escutamos uma voz distorcida, falando:
- Vão embora daqui, vão antes que seja tarde demais...
Levantamos e corremos para as escadas, temendo de medo, estávamos assustados por demais, que fazer naquela hora. Como poderíamos cuidar da nossa família se não tínhamos ninguém, estávamos isolados, ali, nem telefone, mas quem sabe se amanha o radio volta a funcionar, pensando em mais uma noite naquele lugar.
O vento estava forte, batia sem parar nos vidros, as sombras sinistras das arvores pareciam ameaçar, juntamente com o fantasma que estava ali, habitando conosco, sem conseguir dormir, sentada na cama, minha mente estava fervilhando em idéias para ir embora dali o mais rápido possível.
O dia amanhecia ainda mais cinzento que a noite, uma grande tempestade estava vindo para a montanha, sinal de grandes complicações, sem sinal de radio e nem como sair dali. Levantamos cedo e descemos para arrumar a sala para que as crianças sentissem menos medo, fui preparar o pequeno almoço para as crianças, fiz tudo o que elas gostavam tudo mesmo.
Tentamos não passar as nossas preocupações, a tempestade veio com tudo, um forte nevado cobriu a montanha como nunca antes sido visto, queríamos abrir a porta, não conseguíamos, a neve impedia, pelo grande volume.
Meu marido conseguiu sair pela janela e limpar algumas partes para que pudéssemos buscar lenha e ligar o gerador e claro buscar mantimentos na cabana do lado, as meninas estavam alegres já nem se lembravam da noite anterior, mas as ter presas por casa era complicado, descobriram o sótão, subiram e tinha tantas coisas antigas ali guardadas.
Todas elas brincaram por ali, Joana a mais velha descobriu um baú que não era fácil de abrir, foi buscar uma alavanca e forçou a fechadura e lá conseguiu.
Tinha montes de fotos, um lindo álbum bem conservado ainda, vestes de um homem, de muita elegância, óculos, canetas de tinta, tinteiros, anotações e outras coisas mais, tudo era estranho parecia que estavam descobrindo uma nova vida, remexendo mais no fundo encontram uma foto muito bem embrulhada com um laço rosa já descolorido. Era a foto de um casal muito elegante, atrás da foto, estava uma dedicatória de amor do senhor para sua esposa, seu nome era Benedito Ventura, mais no fundo estava uma fila de livros muito bem alinhados e conservados, pegaram neles e viram que ele era o autor dos livros.
Correndo pelas escadas fora Joana gritava:
- Mamã, olha o que eu encontrei aqui, ele também escrevia como tu, olhas, para esta linda foto deles aqui.
Olho com alguma curiosidade e qual é o meu espanto que é a foto dos meus visa vós, apenas existia uma na casa de meu tio, única, pois todas foram destruídas pelo incêndio, mas como esta foto veio parar aqui? Pensava eu. Meus olhos encheram-se de lágrimas, pedi que me levassem ao sótão onde estava tudo guardado, remexi em apontamentos e descobri que eram do meu visa avó, mas como se ele morreu no incêndio? Era tudo muito estranho ali. Peguei nos apontamentos todos e trouxe comigo e alguns livros, li coisas intimas do amor exagerado dele com a minha visa avó, mas o que iria me chocar mais ainda é que ele é que incendiou a casa por ciúmes e ela morreu queimada.
Se for assim, ele conseguiu fugir, mas quem era o corpo dentro da casa e lendo as anotações descobre que ele leva um sem abrigo e o embebeda, deixando-o lá dentro morrendo com a, visa avó se fazendo passar por ele.
Seu passado remexeu com a sua mente, memórias tristes assolaram sua cabeça, seus pais já tinham partido, sua mãe iria ficar tão feliz por ver aquele álbum, de repente a Joana dá um grito:
- Mamã olha esta foto pareces mesmo tu, igualzinha a ti.
Olhei a foto e era minha cara, apenas a preto e branco, mas era a minha cara. Meu marido se assustou com a semelhança da foto e franziu sua sobrancelha, acho que lhe li o pensamento.
Se eu era a cara dela o fantasma só podia ser o visa avô, se ele queria tanto mal e era tão mau que ele nos iria fazer?
Afinal o segredo foi desvendado ali, o visa avó nunca foi lá muito boa pessoa, mas sim muito mau tão mau ao ponto de matar como nas suas tramas policiais. Eu estava estarrecida com este segredo, por demais, mesmo, sem saber o que pensar e fazer. As meninas enchiam-nos de perguntas e voltar ao passado estava sendo penoso demais, era uma maldade sem limites forjar a sua própria morte e se manter escondido anos e anos a fio.
Não tinha cabeça para escrever, fui deitar um pouco, adormeci por segundos e vi todo aquele horror, a casa queimando, ela pedindo socorro e ele de fora rindo, rindo diabolicamente. Acordo assustada, não era um sonho, mas um pesadelo real, ele estava ali de frente a sua cama. Olhando-me, com olhar maligno, de vingança e escuto suas palavras:
- Maldita, vieste para me assombrares, maldita sejas tu que vieste me tirar o sossego aqui, eu te matei e tu voltaste de novo.
Por momentos eu queria fugir, o quarto estava gelado, sombrio, silencioso, queria dizer que não era ela, mas a minha voz não saia, ele olhava-me com maldade, quase podia ver o que ele estava pensando na sua vingança.
Ele grita e tudo sai dos lugares, minha cama gira em volta do quarto, escuto tentarem abrir a minha porta sem conseguirem, ele grita:
- Vais arder aqui hoje comigo, vou pegar fogo a tudo isto aqui, ninguém vai descobrir o meu segredo, maldita sejas tu que vais comigo para o fogo do inferno.
Eu estava suspensa no ar a cama girava a volta do quarto, o medo gelava as minhas veias, sabia que ia morrer, apenas pensava nas minhas filhas e num ato de desespero, consigo gritar:
- Saiam da casa rápido, saiam, leva as meninas daqui, ele nos vai matar a todos, saiam, vão embora.
Algo já estava queimando, o tapete já estavam ardendo, as cortinas também, todos corriam para o andar de baixo, as chamas eram intensas, queriam abrir as portas e não conseguiam alguém atira com uma cadeira e parte os vidros da frente da porta, saem todos por ali.
Já todos fora, as crianças chorando, chamando por mim, eu ainda lutava apesar das chamas, ele estava olhando, rindo, divertindo, a cama já tinha parado de rodar, eu já estava mais segura do meu corpo, olhei para o lado, estava uma bíblia na cabeceira da cama, estiquei as mãos e alcancei-a, ele tentou evitar mas não conseguiu.
Ficou um silencio mortal, apenas escutava o crepitar do fogo, o fumo já me deixava tonta, ele ainda ria chegando para perto de mim.
Olhei para a janela, estava tão perto, rezei a Deus e pedi que eu voltasse a ver as meninas de novo, agarrada a bíblia, rompo a janela e atiro-me para o jardim. Sinto vidros entrando em mim, o corpo caiu, senti uma dor latejante no joelho, todo o meu corpo doía, tentei levantar para onde escutava gritos e vozes.
Arrastando-me pela neve sentia que a dor era menor que a minha vontade de viver e voltar a ver as minhas filhas, a casa ardia toda, vejo a minha família, eles ainda nem me viram, escuto as meninas chorando por mim. Gritei:
- Estou aqui, ajudem-me!
Felizes, meu marido, a babá e as minhas filhas correm ao meu alcance, nem eu mesmo sabia como tinha ido parar ali, não sabia mesmo, sabia como tinha conseguido, mas aquela bíblia me salvou, pois nunca tinha tido fé na minha vida e ela me salvou. Agora já podia escrever a minha verdadeira história.


Um conto de Natal
Flavio

Mais um final de ano se aproxima e com ele a festa mais aguardada pelas crianças.
Noite de Natal. Crianças espalhadas pelo mundo inteiro aguardam a visita do bom velhinho. Apreensivas esperam que Papai Noel chegue com os presentes tão desejados durante o ano, mas nem todos os pequeninos acreditam na figura de um homem vestido de vermelho com barba comprida e um barrigão.
Esta é a história dos irmãos Daniel e Rodrigo, um com doze e o outro com sete anos. O primeiro não possui mais a ilusão do velho barbudo, é muito difícil hoje em dia uma criança nessa idade acreditar que um velho desconhecido venha até sua casa entregar presentes.
- Rodrigo. O que você está fazendo? Perguntou Daniel o mais velho.
- Estou colocando um bilhetinho na árvore de Natal com meu pedido para o Papai Noel.
- Larga a mão de ser bobo. Já não te falei que Papai Noel não existe.
- É lógico que existe. Eu o vi no Shopping hoje à tarde.
- Está vendo como você é besta. Era um homem vestido de Papai Noel para enganar trouxas como você.
- É mentira. Eu conversei com ele. Ele disse que vai trazer meu presente porque fui um menino bonzinho.
- Então fica esperando seu bobo, ele não vai trazer nada pra você. Ele não existe e nunca existiu.
- É o que veremos.
Faltando vinte minutos para as doze badaladas, Viviane mãe dos meninos entra na sala e vai falando.
- Meninos. Está na hora de vocês irem dormir.
- Mãe, eu quero esperar Papai Noel. Falou Rodrigo.
- Não pode meu filho, senão Papai Noel não vai trazer seu presente. Vai dormir. Quando você acordar Papai Noel vai ter deixado seu presente.
- Tudo bem mamãe.
O mais velho ficou olhando para a mãe com um olhar desconfiado. Raphael, pai dos meninos, não precisava falar para que eles entendessem o recado. Olhou para Daniel, e como se um olhar valesse mais que mil palavras, o guri foi em direção do quarto com o irmão mais novo.
Silêncio em toda a casa. Somente o barulho do vento entrando pela fresta da janela podia ser ouvido.
Daniel acordou com sede. Levantou e caminhou em direção a cozinha. Quando chegou próximo a porta da sala, um vulto vermelho e alto na sua frente causou espanto.
- Não pode ser verdade. Eu devo estar ficando louco. Não existe Papai Noel.
O menino seguiu em direção aquele homem travestido com roupa vermelha e botas enormes.
Caminhou lentamente na ponta dos pés até chegar próximo. O homem de costas para a porta não percebeu a aproximação do menino franzino.
- Papai Noel. É você?
O homem virou-se rapidamente baixando o rosto em direção ao menino. Grandes olhos negros fixaram-se dentro dos olhos do garoto. Ficou tão perto do rosto do menino que sua imagem fora refletida na escuridão dos olhos enegrecidos.
A figura grotesca de um velho narigudo e com uma longa barba branca o encarava. Um arrepio percorreu a espinha do garoto. Ficou paralisado sem reação. Não conseguia se mexer nem falar nada. O homem aproximou-se do garoto e uma voz rouca cortou a escuridão da sala:
- Você que é o Daniel. Aquele que não acredita no Papai Noel?
O menino não conseguia abrir a boca, tamanho pavor que sentia no momento.
- Vou perguntar de novo. Seu nome é Daniel?
O garotinho tremendo de medo conseguiu somente dizer um “sim” muito baixo que mal podia ser ouvido. O homem que parecia um gigante calçado de botas abraçou o garoto estático e o colocou num saco vermelho.
Os lábios do menino não conseguiam se abrir. Dava a impressão de estarem colados. Não conseguia falar e nem gritar por socorro. Tentou se debater dentro do saco, mas o corpo permanecia inerte aos movimentos como se uma força externa o paralisasse. O homem aproximou-se da janela da sala e de supetão pulou e sumiu na escuridão da calada noite.
Amanheceu o dia, Viviane colocou a mesa para o café da manhã.
- Daniel. Rodrigo. Venham tomar café.
Somente Rodrigo saiu do quarto e foi em direção a cozinha.
Quando passou pela sala reparou alguma coisa embaixo da árvore de Natal. Um pacote colorido e grande.
Saiu correndo na direção do embrulho com seu nome e começou a rasgar a embalagem. Seus olhos nem piscavam de tão compenetrado que estava.
- Mamãe, mamãe, Papai Noel trouxe meu presente. Eu sabia. Eu sabia que papai Noel viria.
Viviane colocou a cabeça para fora da porta da cozinha e espiou o menino abrindo uma caixa grande. Logo pensou. - Deve ser o presente que Raphael trouxe para os meninos. O garotinho sentia uma emoção tremenda, suas mãos tremiam enquanto as folhas da embalagem caiam ao chão.
– O que será que papai Noel trouxe pra mim?
Gritos de alegria podiam ser ouvidos pela casa.
- Mamãe, papai Noel trouxe meu presente.
Ao abrir o embrulho uma surpresa, o menino havia ganhado um boneco. O brinquedo possuía feições humanas, dava a impressão que estava vivo. Os detalhes dos olhos, da boca e cabelos impressionavam tamanha perfeição.
- Mamãe, mamãe, olha o que ganhei. Ganhei um boneco.
A mulher dirigiu-se para a sala. Um grito de horror pode ser ouvido á distância. Como se fosse acertada por uma bigorna na cabeça. A mulher despenca no chão desacordada.
Daniel, o menino mais velho estava paralisado como estátua. Amarrado em seu pulso em cartão de Natal com a figura do bom velhinho e os dizeres.
- “Nunca subestime o espírito do Natal”


Espírito de Natal
João Herique

Um copo de chocolate quente com creme acompanhava Cris, enquanto ele escrevia seu novo livro de suspense, que, esperava que fosse outro Best Seller, como todos os seus outros livros.
Seus cabelos morenos caiam sobre seus olhos novamente, fazendo com que ele os tirasse dali com sua mão direita.
Olhos castanhos, vidrados em seu arquivo do Word.
Lá fora a neve não parava de cair, como se fosse uma forte chuva.
A cada gole, a bebida quente descia por sua garganta, satisfazendo seus desejos.
Quando atingiu a página duzentos e cinqüenta, a luz acabou.
Ele gritou com toda sua força.
Havia se esquecido de salvar; perdera cinqüenta páginas.
Chutou seu computador com força, e levantou de sua cadeira.
- Inferno! – gritou ele.
Seu telefone então tocou.
Pegou-o e o levou ao ouvido direito.
- O que foi?
- Oi Cris! É o pai, como vai filhão?
- Estava escrevendo e a merda da energia acabou. O que você quer?
- Eu e sua mãe estávamos pensando se não poderíamos passar a ceia de natal amanhã ai em sua casa! O que você acha?
- Dois velhos me enchendo? Obrigado. Tenho de terminar o meu livro, velho. Até.
Pegou o telefone e colocou em seu lugar de sempre.
Sentou no sofá para esperar a volta da energia, e alguém bateu em sua porta.
- Quem é o maluco que está lá fora com toda essa neve?
Abriu a porta, era um mendigo.
- Meu bom moço, o senhor teria um casaco?
- Não. – respondeu Cris fechando a porta.
Voltou a sentar-se e começou a assoviar para passar o tempo, até a energia voltar.
Foi quando começou a sentir muito frio.
- Caramba, será que tem alguma janela aberta por aqui?
Os objetos de sua casa começaram a ficar com uma leve camada de gelo, e então um estranho apareceu no corredor da casa de Cris.
Ele trajava uma roupa toda branca, e seu rosto era coberto por um capuz também branco.
- Q-quem é você?
A “coisa” ficou em silêncio.
- Eu vou chamar a policia!
- Você nem sabe que eu existo, Cris. Na verdade, quase todos sabem da minha existência, mas alguns não “me têm”.
- Do que você está falando? Como sabe o meu nome?
A coisa aproximou-se lentamente de Cris, e tocou-o com uma mão fria e branca.
Neste momento, as portas e janelas da casa se abriram e a tempestade de neve invadiu sua casa.
Cris viu diante dos seus olhos, todas as coisas erradas que fizera em sua vida.
Quando abusou de uma criança de sete anos, e jurou que se ela contasse para os pais iria matá-la.
Viu quando deu um tapa em seu pai, por ele ter feito xixi nas calças, por ser problemático.
Diante dos seus olhos, viu todas as rejeições que fizera a sua família, todas as pessoas que ele fizera mal, em segredo.
Seus olhos começaram a despejar lagrimas, enquanto iam ficando sem cor.
A casa de Cris agora era apenas mais uma casa tomada pela tempestade de neve.
Ele caiu no chão, morto, punido.
- Quem sou eu Cris? Eu sou o Espírito de Natal.


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